terça-feira, 22 de outubro de 2013

Espinafre e escarola cruas, refogadas e um ovo poché




Para este jantar prático de meio de semana, num dia de espírito desprovido de qualquer pretensão, lancei mão de um recurso que havia experimentado nesta salada de escarola aqui, que consiste basicamente em explorar diferentes estados de um mesmo alimento para multiplicar texturas e sabores em uma refeição  de poucos ingredientes.
Desta vez, além da dobradinha escarola crua e refogada, acrescentei a do espinafre, pois esta verdura também é deliciosa em ambas versões.  Para completar, um ovo pochê salpicado de pimenta do reino,  azeite e raspas de limão siciliano super frescas que pareceram integrar o ovo às folhas cruas e crocantes em que repousava, entremeadas de outras tantas macias e cozidas al dente.

Se eu pudesse criar uma meia dúzia de galinhas em casa esta poderia ser uma refeição totalmente autossuficiente,  já que as verduras vieram todinhas da minha horta. Enfim,  me contento com a expectativa de ver meu pé de limão siciliano dar frutos no próximo verão ;-)
  

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Shimeji na manteiga e o risotto das meninas.






O que as meninas fazem quando o chefe está fora?? Fazem risotto ora bolas! 

Aproveitamos a calmaria atípica de uma quinta feira ordinária em nossas vidas e conseguimos combinar aquele almocinho que há tempos ensaiávamos. Uma das amigas mora bem ao lado do trabalho e gentilmente nos ofereceu suas dependências de casa de revista para fazermos a bagunça nas panelas. 

E aí faço uma pausa para dizer que é deprimente visitar a casa das amigas arquitetas, cheia de design, cores  e coisinhas descoladas, além dos armários e móveis  ultraplanejados com mil e uma funcionalidades. Fiquei com vergonha da mesinha que eu e Chéri inventamos com uma bobina de papelão grosso achada numa construção, pintada de amarelo e com tampo de discos de vinil sobrepostos. ;-0

Porque deveria ser rápido e gostoso é óbvio que preparamos um risotto. Já levei o caldo que havia feito naquela mesma manhã em casa e com três ajudantes divertidas e tagarelas foi quase num piscar de olhos que tudo ficou pronto. Como já publiquei vários preparos de risotto no blog e neste post faço uma explicação mais detalhada para quem ainda não tem muita prática no negócio, o que pensei  foi em deixar detalhes sórdidos da receita do meu último vício de consumo repetitivo: Shimeji na manteiga. 

Uma indecência de bom.

Puro, completando uma salada ou neste risotto que fizemos combinando-o a cogumelos paris salteados e aspargos grelhados, faz uma refeição saborosa, nutritiva e mega prática, coisa de 10 minutos e o jantar está servido. 


Shimeji na manteiga

rendimento: 1-2-3 porções, depende do quanto a pessoa gosta e quer comer
tempo de preparo: 10 min + 8 na frigideira;


Ingredientes:
  • 200g de shimeji branco ou preto;
  • 1 c. sopa de manteiga;
  • 1 c. sopa de shoyu (ou o quanto lhe baste);
  • 1 splash generoso de saquê culinário;
  • 1 c. chá de óleo de gergelim torrado (opcional);
  • cebolinha picada a gosto;
  • sal e pimenta do reino moída a gosto;

Preparo:
  1. Separe o shimeji em filetes individuais, assim como você faria com brócolis ou couve-flor cozidos;
  2. Lave rapidamente, escorra e seque bem com um pano de prato ou simplesmente limpe eventuais impurezas de terra com uma toalha de papel, sem lavar. (Eu não costumo lavar nenhum tipo de cogumelo, só limpar, mas como a maioria das receitas que encontrei por aí indicava a lavagem, acabei fazendo assim. Não acho fundamentalmente necessário e com certeza sem lavar juntará menos água no cozimento);
  3. Aqueça bem uma frigideira de beiradas altas e derreta a manteiga;
  4. Sempre em fogo alto, adicione o óleo de gergelim torrado;
  5. Despeje o shimeji de uma vez na frigideira e salteie até amaciar (5 min, aproximadamente);
  6. Junte o saquê culinário e o shoyu (lembre-se que o shimeji soltará água então não exagere nos líquidos) e mexa vez ou outra;
  7. Experimente e cozinhe até atingir a consistência de sua preferência, acerte o tempero, colocando sal, se necessário e a pimenta do reino moída na hora;
  8. Sirva com cebolinha fresca picada;

Para o risotto:

rendimento: 4-5  mulheres elegantes pessoas comedidas,
tempo de preparo: 30 min + 20 de cozimento (com o caldo já pronto. se for fazer o caldo aumente uns 20-30 min)

Ingredientes:
  • 1 e 1/2 xíc. de arroz arbóreo ou carnaroli;
  • 1 e 1/2 xíc. de vinho branco seco;
  • 1 litro de caldo de legumes;
  • 1 cebola média picada finamente;
  • 400g de shimeji branco ou preto;
  • 200g de cogumelo paris fresco (ou outros de sua preferência);
  • 1 maço de 400g de aspargos frescos;
  • 50g de manteiga sem sal;
  • 1 fio de azeite;
  • 1 e 1/2  xíc. de queijo parmesão de boa qualidade ralado na hora;
  • cebolinha para decorar;

Preparo:
  1. Prepare o shimeji como indicado e salteie os cogumelos paris fatiados com manteiga numa frigideira bem aquecida e reserve;
  2. Descarte a base branca e fibrosa de cada talo de aspargo fresco, lave e corte o restante em pedaços de 3-4 cm. Grelhe com um pouquinho de azeite, sal e pimenta até ficar al dente e reserve;
  3. Coloque o caldo para esquentar, rale o queijo, pique a cebola e deixe todos os ingredientes preparados, próximos ao fogão;
  4. Numa panela ou frigideira de boca larga e beiradas altas, em fogo médio alto, derreta 20g da manteiga com um fio de azeite (para não queimar a manteiga) e refogue a cebola até amaciar;
  5. Junte o arroz e mexa constantemente, até perceber que o grão vai ficando transparente nas beiradas. Abaixe um pouco o fogo se necessário;
  6. Despeje o vinho e mexa até quase secar;
  7. Mantenha o caldo aquecido e vá juntando ao arroz, uma concha por vez. Complete sempre antes de secar para não queimar e vá provando até sentir o grão firme no centro, mas que não esfarele na mordida;
  8. Neste ponto acrescente os cogumelos (com os respectivos caldos, pelamordedeus!) e os aspargos (guarde algumas pontas floridas para guarnecer os pratos);
  9. Misture e prove para verificar o sal. Acerte se necessário, lembrando que você ainda acrescentará uma boa quantidade de queijo;
  10. Junte um pouco mais de caldo, se necessário, ou deixe evaporar o caldo existente para que o seu risotto escorra no prato ligeiramente. Deixe um ponto mais cremoso do que você gostaria no final, pois ele firma ao esfriar e ainda tem o queijo ralado que absorve um pouco o seu caldo;
  11. Desligue o fogo, misture o restante da manteiga e o queijo ralado, reservando um pouco dele para servir à mesa. Tampe a panela e aguarde uns 2 minutinhos para tudo se amalgamar;
  12. Sirva imediatamente cada porção, decorando com as pontas de aspargos, quijo ralado e uma boa salpicada de pimenta do reino moída na hora;
  13. Aprecie com meia taça de vinho e volte ao trabalho com um sorriso disfarçado de quem comeu almoço de domingo em plena quinta feira e não pode contar para ninguém  ;-)


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pannacotta de cardamomo e leite de cabra com calda de manga e leite de coco






Foi chegando o fim da semana passada e ainda me encontrava num dilema existencial insuperável: preparar um Gateau Saint Honoré ou Tiramisú no sábado? Isto para seguir à risca a estratégia de saciar a gula acumulada de 7 dias com um doce sensacional, que faça valer a pena a espera. Prós e contras pra cá, prós e contras pra lá e um pensamento que não saía da minha cabeça era o leite de coco e o de cabra já abertos dando sopa na geladeira. 

O medo de perder ingredientes preciosos superou  o dilema e resultou nesta sobremesa super fancy. O leite de cabra, usado aqui em quantidade módica, conferiu um sabor almiscarado e faz prolongar o gosto da pannacotta na boca. Posso dizer que o cardamomo combinou incrivelmente com o leite de cabra e que pretendo utilizar esta dupla em outras aventuras culinárias.

A calda de manga, mais uma vez, foi inspirada na ojeriza ao desperdício. Eu e Chéri caímos no conto da manga promocional no mercado e arrematamos três frutos aguados e meio que sem gosto. Isto é o que dá comprar frutas fora da estação. (tisc tisc). Pois então... sobrou uma manga que definitivamente não me apetecia ao natural. Para não descartá-la, pobrezinha, fiz esta calda com açúcar e leite de coco. 

E já que eu tinha coco fresco congelado no freezer e comecei a achar a sobremesa cheia de frescura, por que não lhe incrustar uma bela crista na superfície, de lascas crocantes de coco tostado?

Como diria minha irmã e meu cunhado: Ó glória!


Pannacotta de cardamomo com calda de manga e coco

rendimento: 500ml
preparo: 20 min + 4 horas de geladeira


Ingredientes:
  • 1 3/4 xíc. de creme de leite fresco;
  • 1/4 xíc. de leite de cabra;
  • 2 c. chá de gelatina sem sabor em pó;
  • 1/2 xíc. de açúcar;
  • 5 bagos de cardamomo, sementes removidas do bago com uma faquinha e triturada no pilão;
para a calda:

  • polpa de uma manga grande cortada em cubos;
  • 2 c. sopa de leite de coco (ou o quanto baste para você);
  • 2 c. sopa de açúcar (ou o quanto baste para você, dependendo da doçura da fruta;
  • lascas de coco fresco tostadas na frigideira para decorar (opcional);

Preparo:

  1. Num potinho pequeno despeje a gelatina em pó e cubra com água filtrada apenas o quanto baste. Deixe gelatinar;
  2. Numa panela em fogo médio baixo aqueça o açúcar  o leite de cabra com o creme de leite e as sementes de cardamomo. Cozinhe por uns cinco minutos sem deixar ferver, até o açúcar derreter, desligue o fogo e tampe a panela;
  3. Após dez minutos (tempo para infusão das sementes de cardamomo) destampe a panela e aqueça novamente se estiver morno. Quando começar a querer ferver desligue o fogo e misture a gelatina coagulada no leite da panela. Mexa bem ou bata com um fouet para não restar grumos de gelatina;
  4. Passe numa peneira para coar as sementes de cardamomo e eventuais gruminhos insistentes de gelatina. Para facilitar coe esta mistura numa jarra ou copo medidor com bico;
  5. Distribua nos potinhos que pretende servir e, se deseja desenformar a pannacotta lembre-se de umidecê-los com água antes;
  6. Cubra com filme plástico e leve à geladeira para firmar (aproximadamente 3-4 horas);
Preparo da calda:
  1. Bata todos os ingredientes no liquidificador ou processador até obter uma mistura homogênea. prove e acerte o açúcar e o leite de coco, se for o caso;
  2. Despeje a mistura numa panelinha e aqueça em fogo médio por alguns minutos, apenas para os sabores amalgamarem e a polpa engrossar um pouco;
  3. Deixe esfriar na geladeira ou em temperatura ambiente e quando a pannacotta já estiver firme cubra-a com a calda de manga;
  4. Antes de servir toste umas lascas de coco fresco numa frigideira bem aquecida (sem azeite, manteiga, nada) e decore.
Obs. Dura uns 4 dias na geladeira.







terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sopa de cebola francesa para brindar os últimos sopros de inverno.









Bom dia outubro! E para meu deleite iniciamos o mês com céu nublado e ventos frios, talvez os últimos sopros do inverno... tentando roubar uns diazinhos dos próximos 150 e tralalá de calor tropical escaldante. Quem pode julgá-lo, não é mesmo? 

E para aproveitar esta onda nada melhor do que uma sopa reconfortante ao cair da noite. E esta é daquelas que aquecem o corpo e a alma dos gulosos com este naco de pão amanteigado e coberto de queijo gratinado. 

Paciência é a chave da receita pois as cebolas demoram uns bons 45 minutos para caramelizar e adquirir este tom castanho escuro que revela o ponto da mais alta gostosura que uma cebola pode atingir. É quase um doce! E aí a importância do vinho branco seco que equilibra os sabores. 

Escolha um pão de casca resistente, porém não muito dura porque você vai querer cortá-la com a colher que está comendo a sopa. E chega de recomendações, siga seus instintos quanto ao tempero e espessura do caldo e Bon appétit!



Sopa de cebola francesa
(adaptada do Simply Recipes e outros sites consultados) 

rendimento: 6-8 porções
tempo de preparo: 2h-2h30min.


Ingredientes:
  • 6 cebolas cortas em meia lua fina;
  • 2 c. sopa de manteiga;
  • 8 xíc. de caldo de carne (usei de frango porque era o que eu tinha);
  • 1/2 xíc. de vinho branco seco;
  • 1 folha de louro;
  • ramos de tomilho a gosto;
  • sal e pimenta do reino a gosto;
  • 6-8 fatias  (uma para cada porção) de baguette francesa cortadas na espessura de 1 dedo (ou outro pão de casca resistente) levemente tostadas dos dois lados com manteiga em uma frigideira bem bem quente;
  • 1 xíc de queijo gruyere ralado (ou parmesão)

Preparo:
  1. Numa panela grande de fundo grosso derreta a manteiga e em fogo médio-baixo despeje toda a cebola para caramelizar. mexa de vez em quando para desgrudar a cebola do fundo e não deixar queimar.
  2. As cebolas irão murchar e reduzir bastante de tamanho e quanto atingirem uma cor marrom escura acrescente o tomilho e afolha de louro. mexa para mistura os sabores;
  3. Acrescente o vinho e mexa;
  4. Acrescente o caldo de carne ou frango, misture e cubra parcialmente a panela e deixe fervendo por uns 30-40 min., o suficiente para os sabores se amalgamarem. Pré aqueça o forno a 200ºC;
  5. Tempere com sal e pimenta a gosto, prove, acerte o tempero e retire a folha de louro e os ramos de tomilho;
  6. Distribua a sopa em potinhos ou prato de servir e coloque uma fatia de pão (já preparado conforme instruções no ingrediente) em cada porção e cubra generosamente com o queijo ralado;
  7. Leve ao forno pré aquecido apenas o suficiente para gratinar o queijo e sirva.







terça-feira, 24 de setembro de 2013

David lebovitz, Julia Child e uma Mousse de chocolate sensacional







A despeito das poucas dezenas de livros de culinária que habitam minha estante da sala, bem próxima à cozinha, frequentemente busco, encontro e preparo receitas publicadas na internet. Sobretudo de blogs, onde é possível, por vezes, sentir-se na cozinha alheia e aprender com a experiência, a percepção e também com os erros de quem prepara e compartilha a receita. 

Este relato detalhado, cheio de impressões e histórias que envolvem a narrativa de uma receita, além de brinde ao leitor, tem sobre mim um poder de convencimento, de segurança ao escolher um quitute para cozinhar. 

E então como eu estou já estou no meio do caminho da minha meta de emagrecimento do ano e isto se deve, grande parte, ao consumo de apenas e somente um doce por semana, tornei-me ultra seletiva na escolha do doce. E foi por isto que encasquetei que semana passada o doce seria "A" mousse de chocolate. 

Daí fiz uma pesquisa rápida e, de todas as receitas que percorri, incluindo um  vasto passeio em minha mini biblio gourmet, foi a Mousse de chocolate que encontrei no delicioso e infalível blog do David Lebovitz que me convenceu de que estaria preparando uma mousse fantástica, digna de saciar a gula acumulada da semana. 

Na minha conta de padeiro, o fato de não levar creme de leite e a promessa de um sabor denso de chocolate numa estrutura aerada e sedosa sobrepuseram a complexidade de passos no preparo e a quantidade de louças para lavar findo o processo. Além disto, um ponto extra foi o fato de ser uma receita "old school" da inspiradora Julia Child: certeza de coisa boa e aprendizado. Já que Chéri me ajudaria a bater o creme de gemas com o fouet, enquanto eu bateria as claras em neve em outra tigela, também com fouet (old school, minha gente!) a decisão foi tomada. 

E foi a coisa certa. Esta mousse incrível, perfeita, fez valer a pena a espera da semana e cada colher saciou minha gula, sem culpa, sem desperdício de calorias. Valeu cada uma delas.  

Servi de sobremesa no almoço com pistaches (trazidos da Itália por um precinho camarada) levemente tostados e no repeteco do jantar com morangos frescos. Não sei dizer qual a melhor combinação. Imagino que pura com um pouquinho de cacau em pó polvilhado na superfície fique elegantérrima. 

Use chocolate de boa qualidade, manteiga de boa qualidade e ovos caipiras e/ou orgânicos super frescos: é um doce de poucos ingredientes, em grandes quantidades cada um deles e por isto seus sabores aparecerão no resultado. 


Mousse de Chocolate 'perfeita' da Julia Child
receita disponível em inglês aqui

tempo de preparo 40 min + 4h de geladeira
rendimento: 6-8 porções


  • 170g de chocolate amargo ou semi amargo de boa qualidade, picado;
  • 170g de manteiga sem sal de boa qualidade, cortada em cubinhos;
  • 1/4 xíc. (60ml.) de café coado ou feito na prensa ou moka;
  • 4 ovos grandes, claras e gemas separadas;
  • 2/3 xíc. + 1c. sopa (170g) de açucar;
  • 2 col. de sopa de rum (30ml.) (usei marsala);
  • 1/2 col. de chá de extrato de baunilha;
  • uma pitada de sal;



Preparo:

Para esta receita você irá precisar de: 
  • 3 tigelas de vidro ou outro material resistente ao calor;
  • 1 tigela ou bacia grande o suficiente para caber a tigela que você usou para o banho maria;
  • 1 panela para encaixar suas tigelas sem tocar o fundo;
  • 1 batedeira de mão (item opcional mas verdadeiramente útil se você não quiser morrer de dor ao bater tudo com o fouet);
  • 1 fouet;




  1. Derreta a manteiga, o chocolate, e o café em banho maria. Para isto escolha uma tigela de vidro ou outro material resistente e uma panela cujo diâmetro sirva para você apoiar a tigela sem encostar no fundo. Despeje nesta panela uns 3 dedos de água e aqueça até ferver. Abaixe o fogo para obter uma fervura branda. Neste ponto, coloque a tigela com a mistura de chocolate/manteiga/café sobre a panela e mexa até derreter; Remova para a bancada e reserve;
  2. Enquanto o chocolate derrete encha até a metade uma tigela bem grande com gelo e água;
  3. Em outra tigela que você utilizará sobre a panela com água fervente misture as gemas, 2/3 de xíc. de açucar, rum e a água e vá batendo com o fouet (OU COM A BATEDEIRA DE MÃO, AHÁ!) até a mistura ficar espessa, clara, quase em ponto de fita;
  4. Retire da panela e encaixe na tigela com água e gelo e bata com o fouet até esfriar e adquirir a consistência de fita;
  5. Retire a tigela do molho de água gelada e incorpore a mistura de chocolate derretido;
  6. Em outra tigela limpa bata as claras com o sal até formar uma espuma que se sustenta. Adicione a colher de açúcar restante e continue batendo com o fouet até obter picos suaves. Por último, acrescente o extrato de baunilha;
  7. Incorpore 1/3  das claras batidas na mistura das gemas e chocolate. Os outros 2/3 incorpore delicadamente à massa, com uma espátula em movimentos de baixo para cima. A ideia aqui é incorporar volume então quanto menos manipular a massa, melhor;
  8. Distribua a mousse em tigelas individuais ou numa única. Cubra com papel filme e leve à geladeira por 4h para firmar.
  9. Sirva com morangos frescos, pistaches tostados, polvilhada com cacau ou simplesmente pura. Divina, divina!
A mousse dura até 4 dias na geladeira, mas duvido que consiga esperar tanto!


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Voltando com uma Tapenade do que se tem na despensa






Breve explicação do longo sumiço: estudo, estudo, estudo. Em toda brecha que se abria em minha agenda mega atribulada concentrei esforços num projeto que já iniciou no modo 'sprint' e agora, após quase três meses, inaugura o ritmo de uma pessoa normal que almeja comer anchova, ameixas, castanhas variadas e cogumelos frescos sem comprometer suas finanças.

Cada vez que vou ao mercado é uma facada e a missão de levar para casa frutas e verduras que custam menos de R$4,99 o quilo tornou-se quase impossível. Cada vez tenho mais orgulho da minha hortinha que agora está repleta de umas 16 berinjelas guerreiras criadas sob a secura do fim do inverno. Cada vez vejo menos embalagens na geladeira e ainda assim mais suor para fechar as contas no fim do mês. 




 Não me preocupa trocar o carro que finalmente acabei de pagar. Também não me preocupa adquirir aquela peça de roupa que está na última moda... aliás, eu nem sei o que está na última moda e isto não torna minha existência miserável.

Comida de verdade é mais cara que comida de astronauta e isto me preocupa. Numa bela manhã de domingo optar por não preparar um risotto porque o vinho, a manteiga e o parmesão que não parece cera ao ralar tornaram-se proibitivos à certa altura do mês me preocupa e me aborrece.   

E os ingredientes fuleiros da cesta básica do Chéri que empacam na despensa também me aborrecem. Aí que arrumar um destino digno às azeitonas verdes pequetiticas em conserva -que mais tinham caroço que carne- se torna a libertação do mau humor e enche meu dia de uma perspectiva auspiciosa. Ainda conseguimos tirar leite de pedra... Viva o Brasil  Bananão tupiniquim! 

Assim eu lhes deixo a receita de Tapenade que salvou o meu dia. Ao invés de processar para uma textura  pastosa você pode apenas triturar no pilão. Ao invés de azeitonicas verdes genéricas você pode usar belas e carnudas azeitonas chilenas. Você também pode substituir a uva passa por figos turcos secos, as sementes de girassol por macadâmias ou amêndoas, e ainda acrescentar lindos filés de anchova em conserva no lugar da alcaparra. Ou mesmo os dois. 

Mas se fizer do jeitinho que eu fiz, assim low cost, garanto que fica uma delícia... notadamente sobre um fatia  de pão francês (ou ciabatta, melhor ainda!) ou num belo sanduíche de peito de frango ( ou peru!) assado e suculento, tomates e alface crespa (que também pode ser romana, é um pouquinho mais cara mas muito melhor!).





Tapenade

rendimento: 1 xícara.
tempo de preparo: 15 minutos

Ingedientes

  • 1 e 1/2 xíc. de azeitonas verdes descaroçadas (ou outra de sua preferência);
  • 1/2 xíc. de sementes de girassol levemente tostadas na frigideira (ou amêndoas, pecans, macadâmias, pinoles... o que seu bolso permitir);
  • 3 c. s. de azeite de boa qualidade;
  • 1 c. sopa de alcaparras;
  • 2 c. sopa de uva passa;


Preparo:

Junte todos os ingredientes e processe no processador de alimentos até adquirir a consistência desejada, acrescentando, um pouco mais de azeite, se necessário, ou triture no pilão para deixá-la granulada e pedaçuda. Questão de gosto ou paciência... NÃO USE SAL!


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bolinho Veludo Vermelho e cobertura de cream cheese para o dia dos namorados



E não é que preparei os bolinhos clássicos americanos do dia dos namorados, bem no dia dos namorados!!!

A surpresa é porque nunca consigo me programar para fazer receitas de ocasiões especiais nas ocasiões especiais. Faço pannetone depois do Natal,  canjica e pé de moleque em março, bombons de chocolate três semanas depois da Páscoa, e por aí vai... obviamente não nutro grandes apegos a estas datas. No entanto, gosto da parte das comidas que marcam acontecimentos e constroem memórias.

Aconteceu que desta vez eu precisava preparar uns bolinhos para ajudar meu filho na festa de formatura (9º ano, Meus Deus!) e o dia de levar os quitutes para  a escola era justamente hoje. Então me lembrei do programa do Chuck Hughes que assisti no sábado ou domingo no qual, coincidentemente, ele preparou os red velvets.

A receita era incrivelmente simples e decidi que seria este o quitute a preparar. Os sabores "mundialmente aceitos" de baunilha e cream cheese garantiram a paz do meu filho -ele temia que eu fizesse qualquer coisa com cardamomo, sementes de papoula, pimenta rosa, água de flor de laranjeira ou outra destas iguarias que seus colegas supostamente não estão familiarizados- era o que havia por trás da sua imediata advertência à minha pergunta:

-Huum filho,  bolinhos do que podemos preparar?
- Mamãe! Você precisa pensar no público!
O resultado foi como o esperado: bolo úmido e fofinho, cobertura doce e cremosa e uma aparência mítica e convidativa. Definitivamente não é um bolo que farei toda a semana, até porque o vermelho vivo exuberante é obra do corante alimentício que não quero lançar mão frequentemente.

O doce é um pouco demais para mim e sinto falta da complexidade de sabores (que consigo com aqueles ingredientes frufrus, por exemplo..), mas por outro lado, o vermelho intenso da massa em contraste com o branco neve e sedoso da cobertura é uma combinação visual tão estimulante e traz consigo aquela sensação de luxúria e fantasia que até faz você compreendê-lo como ícone do dia dos namorados ;-)


Bolinhos Veludo vermelho com cobertura de cream cheese de baunilha
receita do programa do Chuck, disponível no site GNT
preparo: 15min + 30 de forno
rendimento: 24 bolinhos
Ingredientes:
  • 2 ovos
  • 1 ½ xícara de açúcar (375 ml)
  • 1 ½ xícara de óleo de canola (375 ml)
  • 1 xícara de iogurte natural (250 ml)
  • 2 colheres de sopa de corante vermelho para alimentos (30 ml)
  • 1 colher de chá de vinagre (5 ml)
  • 1 colher de chá de extrato de baunilha (5 ml)
  • 2 ½ xícaras de farinha de trigo (625 ml)
  • 1 colher de sopa de cacau (15 ml)
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio (5 ml)
  • 1 colher de chá de sal (5 ml)
Preparo:
  1.  Pré aqueça o forno em 180ºC e forre as formas de cupcake com forminhas de papel (não é necessário untar);
  2. Bata no processador (ou liqui) os ovos, açucar, óleo, iogurte, corante, vinagre e extrato de baunilha; 
  3. Acrescente o restante dos ingredientes e bata até tudo se misturar;
  4. Distribua a massa entre as forminhas, preenchendo até a metade e asse por 30 minutos, virando a forma na metade do tempo. Faça o teste do palito para ver se está pronto;
  5. Retire do forno e deixe esfriar completamente antes de colocar a cobertura;

Cobertura de Cream cheese de baunilha


Ingredientes:
  • 200g de cream cheese, em temperatura ambiente;
    1/2 xícara (100g) de manteiga sem sal em temperatura ambiente;
    2 1/2 xícaras de açúcar de confeiteiro, peneirado;
    1 c. chá de extrato de baunilha
Preparo:
  1. Na tigela da batedeira bata em velocidade média a manteiga e o cream cheese até obter uma mistura cremosa;
  2. Junte o extrato de baunilha e bata em velocidade alta. Aos poucos e em velocidade alta vá acrescentando o açúcar, checando o ponto a cada adição, até chegar a consistência almejada. (Eu utilizei 2 xícaras de açúcar de confeiteiro pois queria uma cobertura bem firme);
  3. Se achar que está firme demais acrescente um pouquinho de leite ou creme de leite fresco, se achar que está ainda muito mole acrescente mais açúcar de confeiteiro;
  4. Coloque no saco de confeitar (usei o bico pitanga) e enfeite os bolinhos, ou, se preferir,cubra a tigela com papel filme e guarde na geladeira (por até o dia seguinte) até o momento de decorar;